Comissão vai propor modernização do modelo de seguro rural no Brasil
A Fundação Getulio Vargas (FGVAgro), em São Paulo, sediou a primeira reunião para a constituição de uma comissão que vai elaborar propostas de aperfeiçoamento do seguro rural no Brasil. A informação é do ex-secretario de Agropecuária do Estado da Paraíba, Rômulo Montenegro. A ideia é atualizar os mecanismos de garantia das operações de crédito e de comercialização do agronegócio. A medida deve beneficiar cooperativas agropecuárias, de crédito e de seguros.
A comissão, formada inicialmente pelos professores Rômulo Montenegro e Guilherme Bastos, da FGVAgro, será coordenada pelo professor emérito da instituição e ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. O grupo terá 60 dias para concluir e apresentar sugestões de melhorias para o modelo de seguro rural.
"A expectativa é atrair o interesse de operadoras de seguro, ampliar o rol de prestadoras desses serviços, de sorte a assegurar a efetiva garantia de operações de crédito de produtores e cooperativas, tanto 'da porteira para dentro', e de comercialização dos produtos 'da porteira para fora'", afirmou Rômulo Montenegro.
Segundo ele, “nos dias atuais, essas garantias são abstratas e acontecem como cláusulas ‘pro forma’ nos contratos de crédito para custeio e investimento, bem como, de venda dos produtos”. Além disso, o agronegócio ampliou significativamente o leque de produtos, serviços e elos envolvidos na cadeia produtiva, o que reforça a necessidade de um instrumento que acompanhe essa evolução.
Para o ex-secretário, o fortalecimento das garantias deve gerar reflexos positivos em toda a cadeia produtiva. "O que se pretende com isso é evitar o grau de incerteza e instabilidade das operações de crédito e serviços, diminuir o spread do crédito, pois reduzirá a inadimplência e os custos operacionais, e por tabela, os juros que são cobrados das operações de custeio e investimento e das operações comerciais para venda dos produtos, ampliando assim, a capacidade financeira dos produtores brasileiros”, ressalta.
Para o presidente do Sistema OCB/PB, André Pacelli, a discussão é estratégica para o cooperativismo. "Acreditamos que um seguro rural mais moderno e abrangente representa maior segurança para o crédito e melhores condições para a sustentabilidade das cooperativas, trazendo estabilidade ao setor e oportunidade de novos investimentos", afirma.